Demolição embargada no Cais José Estelita. Ocupação não tem data para terminar

A tentativa de derrubar os galpões do Cais José Estelita para construção do projeto Novo Recife, no bairro de São José, Centro, foi temporariamente suspensa nesta quinta-feira (22). Os tratores chegaram a iniciar a demolição dos prédios na noite de ontem, mas manifestantes conseguiram denunciar a tentativa ilegal e frear as obras. Duas pessoas foram inclusive agredidas pelos seguranças que fazem a segurança do imóvel, mas a pressão acabou fazendo que a demolição fosse apenas parcial.

Pela sua localização, o projeto Novo Recife é considerado um grande símbolo de uma cidade verticalizada, que não respeita o seu passado, despreza as mais modernas práticas de mobilidade e violentamente arranca as pessoas de suas moradias para privilegiar o capital imobiliário. Então, há uma simbologia na ocupação do Cais José Estelita, que é vista como um exemplo de tentativa de preservar que deveria ser seguido também em comunidades do subúrbio da capital pernambucana, onde vêm ocorrendo processos graves de desapropriações e violações de direitos.

Hoje, um dos sócios da construtora Moura Dubeux, Eduardo Moura, ainda tentou argumentar que teria documentação para iniciar a demolição, mas o Iphan embargou a demolição das edificações do Cais José Estelita por cinco dias. Manifestantes do grupo Direitos Urbanos prometem não desocupar o local, diante de tantas irregularidades que vem ocorrendo em outras obras em Pernambuco: “informamos que o #OcupeEstelita prosseguirá por tempo indeterminado. Em outras palavras, não desocuparemos o local até que nossa pauta seja atendida de forma satisfatória”, garante texto do grupo.

A mobilização, iniciada por cerca de oito manifestantes, começou a ganhar corpo na tarde desta quinta-feira e dezenas de pessoas já se aglomeram dentro dos muros do antigo terreno da RFFSA e também no portão que dá para o Cais José Estelita. Os manifestantes querem discutir o modelo da obra a ser implantada no local e sugerem medidas como trinta por cento de habitação popular, uso misto e estratificado economicamente e construção de espaços de arte, cultura e comércio popular.

Veja a nota divulgada pelos ocupantes aqui: http://direitosurbanos.wordpress.com/2014/05/22/nota-dos-ocupantes-sobre-o-ocupeestelita/

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