Quem são os mascarados da FIP?

Jovens estão participando do acampamento no #ocup
Integrantes da FIP estão participando do acampamento no #ocupeestelita

O blog organizou uma mostra de fotografias e expôs durante o #ocupeestelita, no último domingo. Para surpresa nossa, tivemos o apoio de um dos grupos mais esteriotipados de todo esse processo de lutas que vem ocorrendo em Pernambuco nos últimos meses, a Frente Independente Popular.

Conheci alguns dos integrantes da FIP pessoalmente, eles organizaram um debate do qual participamos eu como representante do blog Mídia Capoeira, Rud Rafael falando pelo Comitê Popular da Copa de Pernambuco e Igor Calado, pela FIP. Mais que isso, a discussão sobre os impactos do Mundial foi aberta e intervenções como a do fotógrafo camaragibense João Velozo foram cruciais, mostrando um pouco a lógica desse grupo que nasce justamente ao se indispor com os movimentos sociais controlados de longe por integrantes de partidos políticos.

Antes do debate, a FIP havia participado recentemente do 15M em Camaragibe, ato que acabou sem grandes problemas e foi realizado durante a greve da Polícia Militar. E no dia seguinte fez uma intervenção durante ato do Governo Federal, realizado no Recife. Eles não querem largar as máscaras, assim como não aceitam nem mesmo que se diferencie os manifestantes pacíficos dos outros, mas fizemos uma entrevista para tentar desmistificar a imagem dessa galera. (As respostas foram encaminhadas pela Comissão de Comunicação do grupo)

1) Como foi a participação da FIP nas mobilizações de junho do ano passado?

A FIP em Pernambuco é formada  a partir das manifestações de junho do ano passado, todos nós nos conhecemos nessas manifestações. Nossa frente é uma tentativa de juntar os grupos mais combativos  e  pessoas  independentes  que  estavam  participando  dos  atos  e  que  não se sentiam contemplados pela forma como os ‘lideres’ e seus grupos políticos se colocavam e conduziam as coisas. Nossas  diferenças  ficaram  claras  a  partir  da  ocupação  da  câmara  do  Recife  em  8 de agosto, quando os grupos ligados a esses partidos trocaram a grande manifestação do Dia do Estudante, pela participação de uma audiência pública na Câmara dos Vereadores. Ai, na hora  da  ocupação  após  todos  os  transtornos  que  tivemos  pra  garantir  o  seu  sucesso,  a cúpula desses partidos, pessoas que nem estavam lá, não levaram bala de borracha, nem enfrentaram  o  choque,  decidiram  entre  eles  abandonar  o  prédio  e  mandaram  seus representates  desmobilizarem  a  ocupação  às  2h  da  madrugada.  Nesse  momento  ficou claro  quem  estava  se  esforçando  pra  organizar  os  atos  e  quem  estava  só  querendo aparecer,  dar  entrevistas  e  barganhar  outro  tipo  de  espaço.  A  partir  desse  momento passamos a fazer reuniões em separado deles.

A FIP se reune desde então semanalmente no jardim na frente da Faculdade de Direito do Recife. A principio a intenção de muitos era apenas evitar sermos massa de manobra dos partidos  políticos  organizados.  Não  temos  nada  contra  a  pessoa  se  identificar  com determinada  agremiação,  nem  que  se  leve  a  bandeira  dela  pros  atos,  não  somos  contra partidos!  Mas  discordamos  de  uma  série  de  práticas  que  estes  se  acostumaram  a  usar, como  de  querer  manipular,  não  encaminhar  o  que  não  é  proposto  por  eles  mesmos,  se sentir  no  direito  de  dizer  como  o  povo  deve  protestar,  de  usar  os  atos  pra  barganhar espaços para si e seus partidos etc. Briga­se para dar entrevistas e aparecer na TV, mas não fazem mobilização nas milhares de entidades pelos quais assinam: são sempre poucas pessoas, muitas bandeiras e inúmeras entidades.

O  primeiro  ato  e  intervenção  organizada  da FIP (ainda  não  existia  o  nome)  foi  a  que  se seguiu à  ocupação  da  Câmara,  a  resistência  contundente  dos  manifestantes  após  ser atacados pela polícia, e após o poder público ter fechado todos os canais de diálogo com o movimento,  colocou  Recife  em  destaque  nacionalmente  como  uma  das  cidades  onde  as manifestações  de  junho  permaneciam  com  vigor,  desmentiu  o  discurso  do  Governo do Estado que em Pernambuco estava tudo ótimo e que as pessoas não tinham motivos para se manifestarem e ainda colocou o passe livre na pauta da discussão política do Estado. O Governo  Eduardo  tentou  proibir  o  uso  de  mascaras,  cancelou  aulas  nos  dias de manifestações, intimou a ir a delegacia todos que pode identificar etc. Nós, passamos a ser levados a sério.

Na Frente Independente participam grupos indentificados com o anarquismo, movimentos socialistas,  de estudantes,  de mulheres,  um coletivo  vegano  de defesa  do direito  dos animais,  um  coletivo  de  arte  e  cultura (que  inclusive  produziu  nossa  faixa),  pessoas  não ligadas a nenhum grupo ou orientação politica etc.

2) Como surgiu a ideia de fazer um protesto durante o Dialogos Governo­Sociedade: Copa 2014?

FIP promoveu protesto durante evento do Governo Federal
FIP promoveu protesto durante evento do Governo Federal

Nós ficamos sabendo que o ministro vinha a Recife pelas redes sociais, já tinhamos visto a intervenção da FIP no Rio nesse mesmo evento e achamos que não deveriamos permitir que  depois  de  todas  as  arbitrariedades  cometidas  contra  o  povo  em  nome  da  copa,  o governo viesse aqui fingir que estava dialogando com a sociedade e que existe qualquer coisa  democrática  nessa  copa.  Nossa  intervenção  junto  com  demais  grupos  que  estão resistindo  as  arbitrariedades  da  Copa  em  Pernambuco  (O  comitê  popular  da  Copa,o Sintraci, o Copa Favela, CPDH, Direitos Urbanos etc) era pra dar voz aos desalojados, desabrigados, aos proibidos de trabalharem, pessoas que não estavam na programação do evento promovido pelo Governo Federal. Nossa faixa, que os companheiros se revezaram para segura-la atrás da mesa do ministro durante todo o evento, arranhava a imagem do legado positivo que o ministro veio defender e não podia ser ignorada pela imprensa.

3) Vocês vem acompanhando pautas específicas da Copa em Pernambuco como as desapropriações?

Nossa frente surge em torno da luta pelo passe livre. Entendemos também, que muito do que levou as pessoas as ruas ano passado, além da questão do transporte público, foi o contraste, a contradição latente entre o serviço que é oferecido a população e as benecis que o Estado  se propõe a oferecer a entidades internacionais que vem ao país somente auferir lucros. A palavra de ordem de “Não Vai Ter Copa” que surge espontaneamente nas manifestações  do  ano  passado  é  a  síntese  das  insatisfações  do  povo  brasileiro  naquele momento. Como já afirmamos Não Vai Ter Copa no Brasil porque pra quem vai assistir a Copa pela TV tanto faz se ela for no Brasil, na Inglaterra ou no Japão. Não Vai Ter Copa no Brasil  porque  os  estrangeiros  que  vão  descer  aqui  em  junho  encontrarão  um  país maquiado,  ocupado  por  forças  de  segurança  e  sob  uma  política  de  higienização  nas cidades-sede, chegarão ao país mas não conhecerão o Brasil, nem o povo brasileiro. Por outro lado, as consequências nefastas da Copa do Mundo no Brasil, estas sim, tem afetado o povo brasileiro e continuaram a afetar suas vidas depois de junho.

Ao  incorporar  a  luta  contra  a  Copa  do  Mundo  a  nossa  pauta  de  reividicações  nós naturalmente  sentimos  a  necessidade  de  conhecer  melhor  a  cidade,  suas  demandas  e problemas. Essa tem sido uma experiência rica e tem nos permitido trocar experiência com outros grupos que discutem a política na cidade do Recife. Nós temos feito um esforço pra conhecer e se incorporar nessas discussões. Desde o ano passado acompanhamos a lutados ambulantes no Recife e do Sintraci defendendo o seu legítimo direito ao trabalho.

Conhecemos  o  pessoal  dos  Direitos  Urbanos  e  através  deles  o  Comitê  Popular  da  Copa aqui em Recife e o drama das famílias de Camaragibe. A luta naturalmente tem aproximado todos estes atores que convergem numa pauta comum, nosso desafio é unirmos todos em torno dessa pauta que é o ingerenciamento da cidade sob o pretexto da Copa, pelo qual tudo se justifica, e conseguirmos dar voz a essas pessoas, como as familias do loteamento São francisco, em Camaragibe, em Brasilit, em São Lourenço, os ambulantes do recife etc.

4) Já pensaram em fazer esse tipo de protesto em atividades do Governo do Estado ou  já  fizeram  algo  para  denunciar  também  os  desrespeitos  aos  direitos humanos durante o período de gestão do agora candidato à presidência, Eduardo Campos?

A  FIP  já  organizou  e  participou  de  4  atos  contra  a  copa  do  mundo  em  Recife,  além  de várias  ações  de  denuncia  sobre  este  evento. Organizamos  junto  ao  MP  duas  audiências Publicas  sobre  a  repressão  e  a  atuação  da  PM  nos  atos  contra  a  Copa,  fizemos intervenções  no  Recife  Antigo  com  equipamento  multi  midia,  grafittes,  debates  na  UFPE, uma caminhada até o relógio da Copa, um ato dentro do Shopping Rio Mar etc. Três diaspós a intervenção da FIP no   comício do então governador Eduardo, na inauguração do Paço do Frevo, o prefeito\secretário desistiu de fazer o Fifa Fan Fest com dinheiro público.

5) Como você avalia a cobertura da mídia local sobre a Copa e seus efeitos sobre a população da Região Metropolitana do Recife?

O  monopólio  de  imprensa  não  tem  dado  repercussão  alguma  ao  drama  das  pessoas atingidas, mesmo quando é obrigada a citar, como no caso da enorme repercussão dos atos dos trabalhadores informais do Centro do Recife, não faz qualquer relação com a Copa ou a política  de  higienização  posta  em  prática  por  conta  dela.  O  ultimo  ato  no  dia  15  em Camaragibe mostrou bem isso ao não entrar em pauta nos noticiários locias. Nós da FIP já fomos procurados até por jornalistas da Finlândia interessados em saber o que pensam os grupos  contrários à realização da Copa no Brasil, mas poucos veículos de impressa tem demonstrado interesse sobre o assunto aqui.

6) Já tem planos para como a FIP vai agir durante a Copa do Mundo?

Precisamos  aumentar  nossos  vínculos  com  a  periferia  como  Brasilit,  Camaragibe,  São Lourenço  etc.  É  lá  onde  estão  as  pessoas  mais  afetadas  e    que  mais  serão  excluídas. Precisamos  convocaá-los  pra  se  manifestar  contra  a  Copa  inclusive  nos  dias  de  jogos.

Precisamos  também  aumentar  nossa  atuação  na  universidade  ­  ano  passado  durante Copa das Confederações a UFPE foi usada como estacionamento da FIFA, não queremos que isso se repita esse ano. Importantíssimo aumentarmos os vínculos com demais grupos que tem resistido a essas arbitrariedades.

7) Vocês realizaram algum pedido de informação ao governo sobre a Copa?

Na UFPE estamos entrando com um pedido de esclarecimento sobre o uso da universidade como estacionamento da Fifa em junho,  com o MP relativo a atuação da PM nos nossos atos e protestos.

8) Quais as principais pautas da FIP hoje para os governos do Estado e Federal?

Nossas pautas tem sido construídas a partir das demandas que vem surgindo nas ruas e estão sempre abertas. Por enquanto no envolvemos com questões relativas:  Ao transporte publico e a mobilidade: Passe livre para o povo. Pela punição dos torturadores do regime militar implementado no país em 64.  Pelo direito à cidade e ao trabalho, contra a Copa do Mundo.

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