Sem casa, desapropriados da Copa aguardam indenizações desde 2013

No fim do ano passado, o curta Despejo #5 denunciou a situação das famílias que estavam sendo desapropriadas pelas obras da Copa do Mundo no Loteamento São Francisco, na Região Metropolitana do Recife. Seis meses depois, os removidos continuam fazendo fila no Fórum de Camaragibe para tentar acelerar os processos, já que a maioria ainda não recebeu as indenizações e vive hoje em dia pagando aluguel ou morando em casas de parentes.

Na última quarta-feira, a defensora pública Daniele Monteiro recebeu pessoas responsáveis por 12 processos, que representam algumas dezenas de famílias removidas na comunidade, já que alguns dos imóveis desapropriados têm seis ou mais casas. Questionadas pela reportagem, três delas disseram que haviam recebido parte das indenizações e todas as outras afirmaram ainda não ter recebido nada.

Famílias aguardam diariamente por atendimento no Fórum de Camaragibe desde dezembro
Famílias aguardam diariamente por atendimento no Fórum de Camaragibe desde dezembro

“Em um dos terrenos da minha família não existe mais nada e como vai ser feita a perícia?”, questiona Ana Paula Santana de Oliveira, cuja família possuía um sítio e duas casas em área que foi desapropriada para construção do Ramal da Copa. Já a aposentada Marli Nascimento representa seus familiares no processo que envolve seis casas e também denuncia que “não saiu nem um centavo para meus irmãos”.

A situação não é muito melhor para quem já recebeu parte das indenizações. Personagem do curta Despejo #5, Jerônimo Sebastião de Oliveira ainda aguarda a reavaliação do seu imóvel para receber a maior parte da sua indenização. Antes proprietário de uma casa de primeiro andar numa área em que tirava parte do seu sustento dos 100 pés de bananeiras que cultivava, foi obrigado a comprar um barraco por pouco menos de R$20 mil para deixar de pagar aluguel.

“Estava pagando R$400 por mês, mas a casa valia muito mais e minha sobrinha. Então fui obrigado a gastar o pouco que recebi e agora estou esperando sair o restante para poder comprar uma outra casa para mim”, explica o deficiente físico, que gastou a indenização pelo braço amputado para construir o primeiro andar da sua antiga residência.

Única defensora pública responsável pelo atendimento aos removidos da Copa em Camaragibe e no Recife, Daniele Monteiro, acredita que fora os 12 que atendeu ontem devam haver cerca de outros 20 processos pendentes. “Na maioria dos casos, são pessoas que tem a prova de propriedade, mas recai sobre uma pessoa já falecida”, explica.

Enquanto isso, no Loteamento São Francisco, continuam as remoções. O Governo de Pernambuco apressou a construção do Ramal da Copa, que ligará a cidade de Camaragibe, passará pelo Terminal Integrado de Cosme e Damião e chegará até a Arena Pernambuco. A construção da via, de sete quilômetros, e a ampliação do Terminal Integrado de Camaragibe causaram cerca de 200 remoções no bairro do Loteamento São Francisco e agora vem causando também transtornos para estudantes e comerciantes do local.

Uma grave situação é a dos cerca de 20 comerciantes que estão tendo de sair das barracas que ocupavam no caminho para a Arena Pernambuco às vésperas do início do Mundial de 2014. São pequenos negócios que ficam na saída das escolas Reunidas Timbí e Professor Carlos Frederico. E estão sendo desapropriados pelo Governo do Estado, mas estranhamente o Ramal da Copa já está sendo pavimentado e não passa pelo local destes imóveis.

Há cinco anos trabalhando no local, José Eugênio já não tem esperanças de permanecer ali para a Copa, mas ainda não recebeu sua indenização. Ele é um dos comerciantes que estão vendo a perspectiva de lucrarem com o torneio por água abaixo por conta das remoções, que continuam a ser realizadas no Loteamento São Francisco. Crianças, adolescentes e seus pais também reclamam da lama no terreno das desapropriações e da violência à noite, por conta da escuridão que ficou após a derrubada das casas.

Veja mais no link do Terra e as fotos na galeria abaixo: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-2014/em-pernambuco-obras-da-copa-aceleram-e-causam-transtornos,67439c56a4546410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

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