Em São Lourenço da Mata também Não Vai Ter Copa

População da Região Metropolitana do Recife vê o ônibus passar sem poder subir no veículo da suposta modernidade
População da Região Metropolitana do Recife vê o ônibus passar sem poder subir no veículo da suposta modernidade

*por André Justino

A realidade é prática. E na prática em São Lourenço da Mata, tão alardeada em outros momentos como a Cidade da Copa, não se vê um sentimento popular simpático à Copa. Casas, carros, comércio, onde esta o entusiasmo da população pela realização de um megaevento onde nitidamente, na cidade, não trouxe nenhum legado de futuro? Todos nós iremos torcer. Mesmos os mais ferrenhos críticos a realização da Copa, nunca coube e ainda não cabe ser contra o evento, mas sim, questionar a forma como ele é apresentado e implantado na cidade.

No início da implantação do projeto da Cidade da Copa, em todas as mesas de apresentação lá estavam as representações do governo do estado, construtoras e cidades da Região Metropolitana do Recife, inclusive São Lourenço. Hoje, após a abertura do Mundial, sequer a Capital Nacional do Pau Brasil é lembrada, muito menos representada.

E no aspecto da ausência de críticas e questionamentos unem-se todos que hora estão no poder, seja no governo federal, estadual e municipal. Não há como questionar o legado da Copa da FIFA para São Lourenço da Mata, sem questionar o impacto nas outras 12 cidades sedes e tantas outras que se veem envolvidas na realização do evento.

Valorização imobiliária? Pergunta o que isso significa para alguma das 200 famílias desapropriadas na zona rural de São Lourenço?

Mobilidade Urbana? Todos se queixam. Seja quem está de carro, preso nos constantes engarrafamentos, seja quem anda de ônibus ou metrô, literalmente entupido, com destaque para as mulheres, que sofrem com abusos constantes.

Trabalho? Seja no espaço que se realizará o FIFA FanFest, no Recife Antigo ou em terras são lourencenses, existe um raio de 2km onde estará proibido o comércio irregular (ambulante), esse raio também inclui o centro de São Lourenço. A FIFA e os governos (todos) lamentam por você que vende uva ou macaxeira no carrinho de mão, como tradicionalmente ainda se vende esses produtos na cidade, mas é em nome do bom andamento dos eventos.

Evento esse que o deputado estadual Vinicius Labanca saudou ao defender com vigor a absurda Lei Geral da Copa, que fere nossa constituição federal ao submeter a soberania brasileira aos ditames da FIFA. E o que se vê, enquanto isso, é a prefeitura da cidade promovendo concurso sobre a rua mais enfeitada para Copa ou a Câmara de Vereadores concedendo título de cidadãos municipais para os próximos candidatos das eleições que acontecerão no pós-copa. Tamanha a distância que esses senhores estão do sentimento do povo, repleto de dúvidas.

Não adianta confetes, a população é tão prática quanto a realidade, como dito no início dessa reflexão. Legado de futuro para cidade significa, transporte de qualidade, trabalho digno e direito a uma cidade democrática, onde as pessoas possam opinar diretamente sobre seu desenvolvimento. Do contrário, o evento pode até acontecer, mas não com o sentimento de simpatia popular que empresários e governos querem.

Logo, sem povo, #NãoVaiTerCopa.

*André Justino é jornalista

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