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CNN destaca violência das remoções injustas de Camaragibe

Um dos mais importantes repórteres da rede americana CNN, Frederik Pleitgen esteve no Loteamento São Francisco e relata na matéria as suas impressões. Assistam e divulguem!

http://edition.cnn.com/videos/world/2014/06/30/brazil-wc-evicted.cnn

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Despejo #5 mostra como foram realizadas remoções para obras da Copa do Mundo

Depois da grande visibilidade alcançada pelo vídeo que mostra a violência policial na desocupação do Cais José Estelita, o blog Mídia Capoeira posta o vídeo produzido pelo Coque (R)Existe, com imagens integrantes do Comitê Popular da Copa, do fotógrafo Mazella e do jornalista Eduardo Amorim, sobre a situação das famílias removidas para obras da Copa em Camaragibe.

Sem casa, desapropriados da Copa aguardam indenizações desde 2013

No fim do ano passado, o curta Despejo #5 denunciou a situação das famílias que estavam sendo desapropriadas pelas obras da Copa do Mundo no Loteamento São Francisco, na Região Metropolitana do Recife. Seis meses depois, os removidos continuam fazendo fila no Fórum de Camaragibe para tentar acelerar os processos, já que a maioria ainda não recebeu as indenizações e vive hoje em dia pagando aluguel ou morando em casas de parentes.

Na última quarta-feira, a defensora pública Daniele Monteiro recebeu pessoas responsáveis por 12 processos, que representam algumas dezenas de famílias removidas na comunidade, já que alguns dos imóveis desapropriados têm seis ou mais casas. Questionadas pela reportagem, três delas disseram que haviam recebido parte das indenizações e todas as outras afirmaram ainda não ter recebido nada.

Famílias aguardam diariamente por atendimento no Fórum de Camaragibe desde dezembro
Famílias aguardam diariamente por atendimento no Fórum de Camaragibe desde dezembro

“Em um dos terrenos da minha família não existe mais nada e como vai ser feita a perícia?”, questiona Ana Paula Santana de Oliveira, cuja família possuía um sítio e duas casas em área que foi desapropriada para construção do Ramal da Copa. Já a aposentada Marli Nascimento representa seus familiares no processo que envolve seis casas e também denuncia que “não saiu nem um centavo para meus irmãos”.

A situação não é muito melhor para quem já recebeu parte das indenizações. Personagem do curta Despejo #5, Jerônimo Sebastião de Oliveira ainda aguarda a reavaliação do seu imóvel para receber a maior parte da sua indenização. Antes proprietário de uma casa de primeiro andar numa área em que tirava parte do seu sustento dos 100 pés de bananeiras que cultivava, foi obrigado a comprar um barraco por pouco menos de R$20 mil para deixar de pagar aluguel.

“Estava pagando R$400 por mês, mas a casa valia muito mais e minha sobrinha. Então fui obrigado a gastar o pouco que recebi e agora estou esperando sair o restante para poder comprar uma outra casa para mim”, explica o deficiente físico, que gastou a indenização pelo braço amputado para construir o primeiro andar da sua antiga residência.

Única defensora pública responsável pelo atendimento aos removidos da Copa em Camaragibe e no Recife, Daniele Monteiro, acredita que fora os 12 que atendeu ontem devam haver cerca de outros 20 processos pendentes. “Na maioria dos casos, são pessoas que tem a prova de propriedade, mas recai sobre uma pessoa já falecida”, explica.

Enquanto isso, no Loteamento São Francisco, continuam as remoções. O Governo de Pernambuco apressou a construção do Ramal da Copa, que ligará a cidade de Camaragibe, passará pelo Terminal Integrado de Cosme e Damião e chegará até a Arena Pernambuco. A construção da via, de sete quilômetros, e a ampliação do Terminal Integrado de Camaragibe causaram cerca de 200 remoções no bairro do Loteamento São Francisco e agora vem causando também transtornos para estudantes e comerciantes do local.

Uma grave situação é a dos cerca de 20 comerciantes que estão tendo de sair das barracas que ocupavam no caminho para a Arena Pernambuco às vésperas do início do Mundial de 2014. São pequenos negócios que ficam na saída das escolas Reunidas Timbí e Professor Carlos Frederico. E estão sendo desapropriados pelo Governo do Estado, mas estranhamente o Ramal da Copa já está sendo pavimentado e não passa pelo local destes imóveis.

Há cinco anos trabalhando no local, José Eugênio já não tem esperanças de permanecer ali para a Copa, mas ainda não recebeu sua indenização. Ele é um dos comerciantes que estão vendo a perspectiva de lucrarem com o torneio por água abaixo por conta das remoções, que continuam a ser realizadas no Loteamento São Francisco. Crianças, adolescentes e seus pais também reclamam da lama no terreno das desapropriações e da violência à noite, por conta da escuridão que ficou após a derrubada das casas.

Veja mais no link do Terra e as fotos na galeria abaixo: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-2014/em-pernambuco-obras-da-copa-aceleram-e-causam-transtornos,67439c56a4546410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

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FIP protesta durante Diálogos Governo-Sociedade: Copa 2014. 15M denuncia absurdo do Loteamento São Francisco

“Houve aqui um protesto, está aqui até agora, os companheiros generosamente ai de pé, segurando a faixa na boa. Nós acolhemos, problema nenhum. O debate está fluindo. Mas a tradução que passa para fora, quem não está aqui não sabe, é que houve uma guerra, houve uma interrupção. Veja como é duro construir a democracia no Brasil, quando ela é traduzido por aqueles que querem destruir e nos separar”. A declaração foi feita pelo ministro Gilberto Carvalho, durante seminário Diálogos Governo-Sociedade: Copa 2014, realizado na última sexta-feira (16), no Centro Paulo Freire.

A série de eventos acontece para dar argumentos a militantes de movimentos sociais alinhados com o PT para defenderem a Copa do Mundo. Já as faixas com as frase “#nãovaitercopa” e “Copa pra quem?”, foram colocadas atrás de onde estavam o ministro e o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, por representantes da Frente Independente Popular (FIP). O Governo do Estado não enviou representantes, apesar de ser o principal responsável por alguns questionamentos que se faz às obras do Mundial especialmente no que se relaciona às remoções no Loteamento São Francisco (Camaragibe), Santa Mônica, Cosme e Damião (ambos no Recife) e em São Lourenço da Mata.

 

FIP promoveu protesto durante evento do Governo Federal
FIP promoveu protesto durante evento do Governo Federal

Se a Folha de S. Paulo tornou o protesto da FIP um assunto nacional. Apesar da presença de diversos veículos de imprensa em Camaragibe, no dia anterior, o 15M em Pernambuco praticamente não teve repercussão na mídia local e só poderá ter alguma visibilidade caso (como prometido) seja divulgado o tema pela TV Globo na próxima terça-feira, no Profissão Repórter. Por sinal, o programa mais livre da rede já vem sendo motivo de preocupação de integrantes do Comitê Popular da Copa, mas vamos esperar para analisar depois de ir ao ar.

Diante de uma cidade em guerra, violência para todos os lados, o 15M em Pernambuco foi uma demonstração de organização do Comitê Popular da Copa e especialmente dos removidos no Loteamento São Francisco. Seria um contraponto perfeito para todas as notícias de violência trazidas pelos jornais durante toda essa semana marcada pela greve da Polícia Militar.

E porque não saiu a notícia com os moradores do Loteamento São Francisco mostrando que ainda não receberam suas indenizações, que ainda aguardam até mesmo o auxílio moradia de R$200? Especialmente porque não se fala na homenagem realizada pelo Copa Favela 2014 aos sete mortos no Loteamento São Francisco e Cosme e Damião, considerados vítimas das desapropriações por terem sofrido com estresse e depressão? Um fotógrafo com quem conversei me disse que haviam muitas pautas na cidade, já que a violência tomou conta de toda a Região Metropolitana do Recife. Mas impossível não imaginar que um protesto com pauta clara, denúncia incisiva (contra as desapropriações e o investimento feito nos Terminais Integrados, além do atraso nas obras ter ficado evidente pelo local escolhido) e sem violência parece não ser pauta para a imprensa tradicional.

O Mídia Capoeira nasce para fazer esse contraponto. Dar voz a quem tem conteúdo para reclamar sobre as obras da Copa ou sobre outros temas, que afetam a população pernambucana. Passou da hora de ficarmos somente reclamando da mídia tradicional.

Desapropriados do Loteamento São Francisco foram entrevistados pelo Profissão Repórter
Desapropriados do Loteamento São Francisco foram entrevistados pela TV Globo